Minas Gerais tem vários cantinhos que podem ser chamados de “pedaço de céu” ou “parte do paraíso”, sem exageros. Mas existem também aqueles que já têm nomes do tipo e, portanto, dispensam apelidos. Em Delfinópolis, no Sudoeste do estado, tem um local assim, com nome celeste. É o Vale do Céu, que fica lá no alto dos morros, de onde se tem uma visão espetacular da região que fica entre a Serra da Canastra e a área de abrangência do lago de Furnas. Não por acaso, ali do lado também tem outro lugar que remete ao divino, o Paraíso Perdido, mas essa é outra história.

O Vale do Céu fica a 350 quilômetros de Belo Horizonte, a 415 quilômetros de São Paulo e a 570 quilômetros do Rio de Janeiro. De Belo Horizonte, o mais recomendado para chegar até lá é pegar a MG 050, entrar em São João Batista do Glória, atravessar a cidade e seguir as placas e orientações para se chegar ao Vale do Céu, já que Delfinópolis fica ao lado de São João Batista do Glória. Esse foi o caminho feito pela reportagem, na virada de 2016 para 2017, como visitante. Como o objetivo inicial não era conhecer o Vale do Céu, mas, sim, o Paraíso Perdido, ficamos hospedados em São João Batista do Glória. Se soubéssemos o que havia no Vale do Céu, talvez a decisão tivesse sido outra.

De São João Batista do Glória ao Vale do Céu, são cerca de 22 quilômetros. A maior parte da estrada, embora seja de terra, é boa, mas há trechos de subida bem inclinada e com o solo bastante assoreado, o que pode comprometer a viagem, especialmente em época de chuva e se o visitante não estiver com carro com tração nas quatro rodas. Nossa visita ao lugar foi em dezembro, época de chuva, e em carro de passeio mesmo, mas, felizmente, era um dia de pleno sol, e não houve problemas para chegar.

É grande a surpresa quando você chega ao Vale do Céu. Importante já informar, de início, que é uma propriedade privada, então ou você paga para se hospedar ou você paga para visitar – no sistema de day use, que será explicado logo abaixo. Ao chegar, você passa por uma construção de pau a pique que é a recepção para o que o lugar chama de “Recanto ecológico”, que é uma espécie de exposição sobre utensílios e mobiliários antigos e, depois, passa a mostrar espécies animais e vegetais que habitam a região, de cerrado. Essa última área é chamada “Sala do cerrado”, que tem também a função de conscientizar os visitantes com relação à importância de se preservar o bioma.

Depois de passar por essa recepção, chega-se ao restaurante, onde haverá alguém para receber o visitante e onde também há uma pequena loja com lembrancinhas artesanais e café da região. É lá que você se informa sobre as taxas e faz os pagamentos. Atualmente, para passar o dia no Vale do Céu, com direito a almoço e ir a todas as trilhas e cachoeiras, adulto paga R$ 40 em dias normais e R$ 80 em feriados prolongados. O horário de funcionamento é das 9h às 18h.

Passeios

Taxas pagas, protetor solar na pele, chapéu na cabeça e um bom tênis para trilha, é hora de caminhar. Mas não precisa se assustar: as trilhas do Vale do Céu são perfeitamente executáveis pelos visitantes, mesmo que com crianças e idosos. O local possui seis trilhas, a das Cachoeiras, a da Mata, a das Orquídeas, a do Macaco, a das Samambaias, a Maria Augusta e a do Morro das Cruzes. As mais leves são a das Orquídeas e a das Samambaias. A mais pesada é a do Morro das Cruzes. O restante é considerado moderado.

Seguimos em direção à Trilha das Cachoeiras, era por volta das 10 horas. Como nessa época, há sempre o risco de pancadas de chuva, o melhor é começar o quanto antes para não ser pego de surpresa bem no meio do passeio, lembrando sempre do risco que as trombas d’água representam quando se está em cachoeira. Quanto a isso, o Vale do Céu é muito bem sinalizado, com placas de alerta em todos os trechos.

Saindo do restaurante, o primeiro lugar a que se chega, a poucos metros e sem nenhuma dificuldade, é o Poço do Barulhinho, um lugar agradável para mergulho e nado, tomar ducha nas costas e ficar relaxando em cima das pedras. De lá, o passeio segue, e o visitante pode conhecer, ainda, a Cascatinha, o Poço Brasil, o Véu da Noiva (na nossa opinião, a mais linda), o Vale do Céu e a cachoeira do Funil (única a que não fomos). Cada uma tem um encanto, e, ao longo da caminhada, é possível desfrutar da paisagem do cerrado e do barulho relaxante das quedas d’água. É realmente uma grande vantagem poder conhecer todos os atrativos sem se cansar muito e a tempo de voltar para o almoço.

O passeio durou cerca de três horas. Como o tempo estava começando a fechar, achamos melhor voltar para pegar o almoço e, se fosse o caso, voltaríamos depois para finalizar com a Cachoeira do Funil – o que acabou não acontecendo. Chegando de volta ao restaurante, renovados pelos banhos na água doce, estávamos mais que prontos para atacar as panelas.

Estrutura

A comida é feita no fogão a lenha e é a típica mineira, com variedade de legumes refogados, verduras de folha, carnes e salada. Você pode repor o prato quantas vezes quiser e ainda tem direito à sobremesa. O restaurante tem mesas na área interna, mas o melhor é almoçar na varanda, com vista direta para os vales que rodeiam a região. Dica amiga: se for pedir suco, que é cobrado à parte, experimente o de melancia bem gelado. Docinho e super-refrescante, repõe num instante a energia perdida na caminhada.

Após comer muito bem, nossa intenção era voltar para a caminhada e conhecer a cachoeira do Funil. Até iniciamos a volta, mas logo que saímos do restaurante, à direita numa descidinha de frente para o vale, encontramos um caramanchão convidativo para um descanso e, quem sabe, uma soneca. Mudança de planos. Foi lá mesmo que estacionamos, sentindo a brisa que atravessava o espaço e movimentava as cortinas brancas. É o tipo de lugar de onde você não quer sair nunca, mas é preciso. Então, saímos de lá no meio da tarde e decidimos tomar o rumo de volta para São João Batista do Glória, já que ainda havia risco de chuva. Antes, no entanto, fizemos uma parada na lojinha do restaurante para comprar um café produzido na região.

Além desse caramanchão, para relaxamento, o Vale do Céu tem outros espaços que permitem o desfrute. Por exemplo, o redário, que, como o nome insinua, é uma área cheia de redes, a casa de convívio, o templo de meditação e a sauna. Outros espaços disponíveis para visitantes e hóspedes são a Casa da Memória, a Casa das Artes, a Casa do Tempo, a Casa das Imaginárias, que abrigam exposições e objetos curiosos e antigos. O objetivo de quem busca um lugar assim, claro, é o descanso, o relaxamento, mas há muito o que fazer e descobrir por ali!

Romance

Com toda a estrutura que possui e o ambiente isolamento, o Vale do Céu também é ótima opção para quem quer curtir momentos a dois. Além da estrutura já mencionada, as acomodações do lugar são um convite para os casais. São duas opções de apartamentos, o das Flores, que fica em uma construção no estilo colonial, com vista para a montanha e decoração rústica mineira, e o das Árvores, que fica no meio de uma área verde.

Há acomodações também em chalés: o do Vale, com vista para a Serra de Santa Maria, equipado com hidromassagem; e o das Águas, exclusivo para casais, com antessala e lareira, também de frente para a Serra de Santa Maria. Tanto para os apartamentos quanto para os chalés, o valor da diária inclui pensão completa (café, almoço e jantar). Para grupos maiores, há duas opções de casas, a do Lago e a da Fazenda, que são ocupadas com móveis e eletrodomésticos e que permitem que os hóspedes cozinhem no local.

A hospedagem para casal vai de R$ 410 a diária em baixa temporada, no Apartamento das Árvores, a R$ 790, em alta temporada, no Chalé Vale. A partir de duas diárias, há desconto em todas as acomodações.

Trilhas

Trilha Distância Grau de dificuldade Tempo estimado
Trilha das Cachoeiras 1,6 km Moderado 2h
Trilha da Mata 3 km Moderado 2h
Trilha das Orquídeas 2 km Leve 1h20
Trilha do Macaco 3 km Moderado 2h
Trilha das Samambaias 1 km Leve 40 min
Trilha Maria Augusta 8 km Moderado 2h
Trilha do Morro das Cruzes 3 km Alto 2h30

 

Fonte: http://valedoceu.com.br/passeios-e-atividades/

Day use

Ingressos*

Adultos: R$ 40 (dias normais) e R$ 80 (feriados prolongados)

Crianças de 6 a 9 anos e idosos acima de 65 anos: R$ 20 (dias normais) e R$ 40 em feriados prolongados

Crianças de 0 a 5 anos: isentas

Funcionamento: 9h às 18h, com entrada até 15h

Capacidade diária: até 120 pessoas

(*) Dá direito a passar o dia, conhecer as trilhas e cachoeiras, almoço com bufê livre. Bebidas são cobradas à parte.

Informações: (19) 99684 5282/ (35) 3524 1086 ou reservas@valedoceu.tur.br

Site: http://valedoceu.com.br/

Texto: Cláudia Rezende
Fotos: Cláudia Rezende e Douglas Cardoso