Foto de capa: variados tipos de queijo minas artesanal. Crédito: Ignácio Costa

 

Por Cláudia Rezende

 

Ele é um dos produtos que mais caracterizam Minas Gerais – ou talvez o melhor, há quem aposte nisso –, é motivo de visitas ao estado, desculpa para uma prosa com café e daquele pedido inevitável de quem está longe: “traz um queijinho pra mim?”. Esse patrimônio mineiro, que teve o modo de fazer artesanal registrado como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008, hoje é representado por sete reconhecidas regiões produtoras do estado: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo. Mas quem quer experimentar da iguaria, oficialmente, tem de vir a Minas.

Barreiras sanitárias impedem que o queijo minas artesanal “viaje” para outros estados. Foto: Ignácio Costa

Isso porque o queijo minas artesanal, por mais que seja amado e desejado em todo canto, enfrenta algumas dificuldades com relação à legislação. Como ele é um produto à base de leite cru, é impedido, por barreiras sanitárias, de viajar para outras terras. “Ainda temos a dificuldade de venda para fora, é um processo que está em evolução, em busca de regularização, é um processo de luta dos produtores pela mudança na legislação”, observa Altino Rodrigues, superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg).

Segundo ele, alguns produtores conseguiram, por meio de investimentos especiais e cumprimento de exigências, autorização para a venda para fora de Minas, mas não foram todos. E existe proposta para que o governo resolva a pendência, com alteração na legislação (para produtos não industrializados), que é de 1950.

Por causa dessa legislação, com exceção dos produtores que têm autorização especial, aqueles que vendem o queijo para fora de MG está em uma condição ilegal. Essa barreira, além de privar o consumidor de outros estados de ter sempre à mão o queijo minas artesanal, atrapalha também o produtor, já que o produto permite o desenvolvimento local da economia e fixa a população nas cidades de origem.

Mas, se ainda há o que avançar em nível federal, em Minas houve uma grande conquista para os produtores, em 2002, com a publicação da Lei 14.185/2002, que regulamenta o processo de produção do queijo minas artesanal. “Minas inovou com essa legislação”. O estado, conforme Altino, tem entre 25 mil e 30 mil produtores de queijos de todos os tipos – não só o artesanal.

 

Bom momento do queijo minas

O queijo minas artesanal, que já vem vivendo uma boa fase desde que conseguiu a legislação estadual própria e depois a inscrição como patrimônio no Iphan, teve outro motivo de comemoração em junho deste ano, quando marcas mineiras foram premiadas na França, em um concurso mundial. A comitiva brasileira era toda representada por produtores mineiros, que foram levados por iniciativa da Faemg. Ao todo, concorreram no evento 700 queijos de 33 países, conforme Altino Rodrigues. Nove produtores mineiros ganharam 12 medalhas, destinadas a 11 queijos, em diversas categorias.

As ações em torno do queijo mineiro seguem em bom curso. Por exemplo, neste ano, em julho, foi realizado o 1º Festival de Queijos Mineiros, na Serraria Souza Pinto, que foi sucesso de público e, m agosto foi realizado o concurso estadual do queijo, em Tiradentes, na região do Campo das Vertentes.

 

O que é o queijo minas artesanal?

É considerado queijo minas artesanal o queijo que apresente consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas, confeccionado a partir do leite integral de vaca fresco e cru, retirado e beneficiado na propriedade de origem.

(Lei 14.185/2002)

 

Como degustar o queijo mineiro?

O melhor jeitinho de apreciar essa iguaria mineira é vindo mesmo para Minas. É praticamente impossível chegar ao estado e não encontrar uma fatia de queijo à espera, seja na casa de conhecidos ou parentes seja em qualquer quitanda, mercearia, mercado, bar, padaria… É mesmo produto de excelência no estado e motivo de orgulho para os mineiros.

Além das cidades que ficam nas regiões reconhecidamente queijeiras (Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo), o turista também pode pegar sua peça em lugares famosos de BH, como o Mercado Central (http://mercadocentral.com.br/) e a Feira dos Produtores (http://feiradosprodutores.com.br/). Além desses, há uma série de “armazéns” que vendem produtos da roça, sem falar em lugares que trabalham especificamente com o produto, como A Pão de Queijaria (https://www.facebook.com/APaoDeQueijaria/). Então, tá esperando o quê? Venha para Minas pegar o seu queijo!