Ele é um dos produtos que melhor caracterizam Minas Gerais – ou talvez o melhor, há quem aposte nisso –, é motivo de visitas ao estado, desculpa para uma prosa com café e daquele pedido inevitável de quem está longe: “traz um queijinho pra mim?”. Esse patrimônio mineiro, que teve o modo de fazer artesanal registrado como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008, agora tem mais um espaço de valorização e reconhecimento do que representa, não só para Minas, também para além das divisas do estado e das fronteiras do país.

Público poderá degustar diferentes queijos minas artesanal

Público poderá degustar diferentes queijos minas artesanal

Entre os dias 28 e 30 de julho, a Serraria Souza Pinto, no Centro de Belo Horizonte, será tomada por sabores e aromas do queijo minas artesanal, das sete reconhecidas regiões produtoras do estado: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo. Organizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) e pelo Sebrae, o 1º Festival de Queijo Minas Artesanal tem motivos que vão além de apenas apresentar e divulgar o produto.

A verdade é que o queijo minas artesanal, por mais que seja amado e desejado em todo canto, enfrenta algumas dificuldades com relação à legislação. Como ele é um produto à base de leite cru, é impedido, por barreiras sanitárias, de viajar para outras terras. “Ainda temos a dificuldade de venda para fora, é um processo que está em evolução, em busca de regularização, é um processo de luta dos produtores pela mudança na legislação”, observa Altino Rodrigues, superintendente técnico da Faemg.

Segundo ele, alguns produtores conseguiram, por meio de investimentos especiais e cumprimento de exigências, autorização para a venda para fora de Minas, mas não foram todos. E existe proposta para que o governo resolva a pendência, com alteração na legislação (para produtos não industrializados), que é de 1950. Mas, se ainda há o que avançar em nível federal, em Minas houve uma grande conquista para os produtores, em 2002, com a publicação da Lei 14.185/2002, que regulamenta o processo de produção do queijo minas artesanal. “Minas inovou com essa legislação”. O estado, conforme Altino, tem entre 25 mil e 30 mil produtores de queijos de todos os tipos – não só o artesanal.

O que é o queijo minas artesanal?

É considerado queijo minas artesanal o queijo que apresente consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas, confeccionado a partir do leite integral de vaca fresco e cru, retirado e beneficiado na propriedade de origem.

(Lei 14.185/2002)

Sabores

Festival terá espaço para aprender a diferenciar os tipos de queijo

Festival terá espaço para aprender a diferenciar os tipos de queijo

Questões importantes como essa e outras, como a que avalia como o dinheiro destinado ao incentivo ao queijo minas artesanal não é gasto, mas investimento, por permitir o desenvolvimento local da economia e fixar a população nas cidades de origem, estão na pauta das discussões que irão ocorrer durante o festival. O evento vai oferecer também muitas oportunidades para que o visitante aprofunde o conhecimento sobre o produto. Por exemplo, as degustações harmonizadas e a possibilidade de conhecer um pouco do sabor, da textura e da produção de cada uma das regiões.

Uma forma criativa encontrada pelo festival para fazer isso é por meio de pratos elaborados por chefs reconhecidos no estado. Cada um deles será responsável por criar uma receita com queijo das sete regiões. Os chefs são: Caetano Sobrinho, Jaime Solares, Mario Santiago e Lucas Parizzi, Edson Puiati, Eduardo Maya, Guilherme Melo e Flávio Trombino. Os pratos terão preços entre R$ 15 e R$ 25.

Além disso, haverá oportunidade de degustar queijos das sete regiões, aprender um pouco sobre como harmonizá-los com bebidas e azeites, como armazená-los, como parti-los etc. Haverá espaço kids, shows, cursos, palestras e aulas-show para que produtores que queiram aperfeiçoar a técnica possam se capacitar melhor. Segundo Altino Rodrigues, o festival terá cerca de cem expositores das sete regiões e cem produtores que buscam aprimorar a fabricação do queijo. Haverá, ainda, concurso do melhor queijo do festival. A estimativa da organização é de um público de 8 mil pessoas nos três dias de evento. Segundo o representante da Faemg, a intenção é que o festival tenha continuidade, mas, como esse é o primeiro, será necessário avaliar como e com qual periodicidade.

Bom momento

O queijo minas artesanal, que já vem vivendo uma boa fase desde que conseguiu a legislação estadual própria e depois a inscrição como patrimônio no Iphan, teve outro motivo de comemoração em junho deste ano, quando marcas mineiras foram premiadas na França, em um concurso mundial. A comitiva brasileira era toda representada por produtores mineiros, que foram levados por iniciativa da Faemg. Ao todo, concorreram no evento 700 queijos de 33 países, conforme Altino Rodrigues. Nove produtores mineiros ganharam 12 medalhas, destinadas a 11 queijos, em diversas categorias.

Produtores de sete regiões mineiras vão expor durante o evento

Produtores de sete regiões mineiras vão expor durante o evento

As ações em torno do queijo mineiro seguem em bom curso. Por exemplo, entre os dias 3 e 6 de agosto, será realizado em Belo Horizonte o 1º Festival do Queijo e Goiabada, cujo local ainda não foi divulgado. As informações estão disponíveis no evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/739837066177014/?ref=br_rs. E também em agosto será realizado o concurso estadual do queijo, em Tiradentes, na região do Campo das Vertentes. Atrações de sobra para quem quer conhecer mais sobre esse ouro mineiro contemporâneo!

Alquimistas do queijo

 Caetano Sobrinho (A Favorita) Região: Campo das Vertentes Prato: gnocchi de batata com ragu de galinha caipira e fondutta de queijo minas artesanal

Jaime Solares (Borracharia Gastrobar) Região: Araxá Prato: Ouro de Araxá – Dadinhos de tapioca com queijo minas artesanal e mel silvestre

Mario Santiago e Lucas Parizzi (A Pão de Queijaria) Região: Serra do Salitre Prato: PdQ do Salitre – Pão de queijo com queijo minas artesanal recheado com costelinha de porco ao molho de goiabada defumada e crocante de queijo.

Edson Puiati (UNA Gastronomia) Região: Serro Prato: Polpeta suína com fondue de polenta branca ao queijo minas artesanal

Eduardo Maya (Würscha) Região: Triângulo Mineiro Prato: Würscha – Sanduíche com linguiça recheada com queijo minas artesanal

Flávio Trombino (Xapuri) Região: Canastra Prato: Lobozó – Farofa com jiló, abobrinha, ovos, ervas frescas e cubos de queijo minas artesanal

Guilherme Melo (Hermengarda) Região: Cerrado Prato: Abóbora Caburé recheada com carne de sol e queijo minas artesanal

Serviço

1º Festival de Queijos Mineiros
Data: 28/7 (das 18h às 23h); 29/7 (das 12h às 22h) e 30/7 (das 10h às 18h)
Ingressos: R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira)
Site: http://www.festqueijominasartesanal.com.br/