Foto de capa: jogo “Salvem nossas almas”, do Escape 60 – Crédito: Eduardo de Sousa

Por Cláudia Rezende

Os jogos de fuga chegaram com tudo a Belo Horizonte e são hoje mais um dos atrativos da cidade para quem está em busca de adrenalina. Desde o ano passado, quando a primeira casa, a Escape 60, foi inaugurada na capita, quatro já se instalaram por aqui, cada uma com um grupo de salas temáticas diferentes, mas sempre propondo o desafio: “decifra-me em 60 minutos”. Hoje, quem curte essa modalidade de entretenimento, tem, além da Escape 60, a Escape Time, a Escape Zone e a Excape House para se aventurar.

Uma das sócias do Escape 60, Teresa Perri conta que esse tipo de jogo surgiu de uma experiência desenvolvida na Ásia e que se expandiu pelo mundo. No Brasil, diz, a Escape 60 foi a primeira a montar o negócio, em São Paulo. Em Belo Horizonte, está instalada em um espaço de 500 metros quadrados, no bairro Santo Antônio, Centro-Sul da cidade. No momento, funciona com três salas: “Corredor da morte”, “Operação resgate” e “Salvem nossas almas (S.O.S)”. “Os jogos que temos aqui são os tradicionais da marca, mas teremos novidades agora, no segundo semestre”, adianta.

Quarto do hotel do Escape 60 – Crédito: Eduardo de Sousa

 

Em todos, a dinâmica é a mesma: os participantes entram nos ambientes e começam a procurar as pistas que vão levá-los a sair do local em até 60 minutos. “As pessoas saem extremamente satisfeitas com a experiência. Se a equipe consegue vencer o desafio, elas ficam muito felizes e confiantes. Querem tentar as outras salas. Se não conseguem, saem desafiadas a tentar outras salas também”. De acordo com Teresa Perri, desde a inauguração, 12 mil pessoas já foram ao Escape 60, sendo que a procura maior é nos fins de semana. Um diferencial da marca é a oferta do jogo também em inglês e espanhol.

 

Mistério e raciocínio

No bairro São Pedro, também no Centro-Sul de BH, o caçador de enigmas encontra outra casa do tipo, a Escape Time, inaugurada em janeiro deste ano. Um dos sócios, o engenheiro civil Frederico Gustavo Lima de Andrade, conta que decidiu abrir o negócio depois que conheceu a experiência em São Paulo. A Escape Time foi desenvolvida por meio de parceria com uma empresa de São Paulo. “Nossos enigmas são diferentes, temos liberdade de personalização e de fazer tema regional. Devemos fazer já para o primeiro semestre de 2018, quando fazemos 1 ano”.

Recepção do Escape Time – Foto: divulgação

A casa também opera com três salas: Alcatraz, escapada impossível, Pânico no Expresso do Oriente e Quarto 66 e os segredos dos templários. Ao todo, 26 participantes podem entrar simultaneamente. Segundo ele, apesar de elas terem uma “pegada” de suspense, não dão medo. “Não têm nada para dar susto, mas o clima, por si só, é de suspense, de imersão na história. As três histórias (no original) têm final trágico, mas o jogo não é castelo de terror, é de lógica e raciocínio. A maioria não se assusta”.

O que acontece é a adrenalina ir às alturas, completa, pelo desafio de ter de decifrar o desafio em até uma hora, para sair do ambiente. Das três salas, a de Alcatraz é a que tem nível de dificuldade mais elevado: somente 25% dos participantes conseguiram sair. O Expresso do Oriente é intermediário, e o Quarto 66 é o mais fácil.

 

Feito em casa

Também inaugurada em janeiro deste ano, a Escape Zone tem no momento dois jogos, adquiridos de uma empresa de São Paulo, mas com toda a ambientação feita aqui, já que um dos sócios é cenógrafo. No entanto, está desenvolvendo, já para este semestre, a terceira sala, totalmente mineira, que terá como tema uma experiência científica que não deu certo. De acordo com Camila Leão, uma das sócias do empreendimento, as obras do novo ambiente se iniciam ainda em agosto. Com relação aos níveis de dificuldade, diz, será intermediário, assim com as outras duas – O templo e Loura do banheiro. “Todas têm plenas condições de a pessoa sair em 60 minutos; 60% dos que jogam não conseguem sair nesse tempo”.

O procedimento da Escape Zone quando a pessoa não consegue desvendar o mistério é de contar para ela o que não foi descoberto. “Faz parte do nosso jogo, a pessoa quer saber. A gente entende que, se ela completou quase 80% do jogo, não justifica ela voltar só para fazer um pouquinho que faltou”, diz. Mas, segundo Camila, há participantes que não querem saber.

A “Loira do Banheiro” é um dos temas do Escape Zone – Foto: reprodução do site

A sócia conta que conheceu os jogos de fuga em Porto Alegre e ficou encantada. Pensou logo em trazer a ideia para BH, sem saber que havia outros empreendimentos também se instalando por aqui na mesma época. Os projetos para a Escape Zone são muitos. “A nossa casa comporta de seis a oito jogos. A gente vai colocando todos em operação e só depois a gente vai pensar em renovar os que já temos”, antecipa. Ela acredita que os jogos de fuga ainda vão viralizar mais na capital mineira, já que muitos ainda não os conhecem.

 

Concorrência saudável

Com relação à concorrência, Camila Leão acredita que ela é extremamente positiva nesse segmento. “Porque um jogo não é igual a outro, quem vai ao meu vai ao outro para conhecer. É um pouco viciante. Não tem isso de o meu é melhor, cada um é distinto do outro. Até as nossas salas, eu não gosto de comparar”. No caso das salas em operação no momento, a sócia observa que O templo tem mais perfil de aventura e Loura do banheiro, de terror, mas com foco no raciocínio.

Outra casa recém-inaugurada em BH é a Excape House, no bairro Serra, Centro-Sul da cidade. Ela também opera com dois quartos: Contra a máfia, que tem taxa de 25% de “escapada” dentre os participantes, e Perdidos no tempo, em que 60% dos jogadores conseguiram resolver o mistério a tempo.

Um dos desafios do Excape House é o “Contra a máfia” – Foto: reprodução do site

Em todas as casas de jogos de fuga, os participantes são trancados nos ambientes, mas são monitorados e não podem usar da força física para escapar do espaço. Se alguém se sentir mal ou quiser sair antes, é só fazer a solicitação, mas nenhum dos responsáveis pelos jogos relatou já ter tido problemas desse tipo até o momento.

 

Público

De modo geral, os jogos de fuga são bem democráticos. Aceitam crianças a partir de 8 anos (de 8 a 12, acompanhadas dos pais), jovens, adultos e idosos. Os que procuram diversão costumam frequentar os ambientes aos finais de semana, mas é preciso lembrar que as casas só trabalham com grupos e com agendamento.

Durante a semana e em horário comercial, quem toma conta desses lugares é mais o público corporativo, já que um dos grandes focos dos jogos de fuga é trabalhar com treinamentos, confraternização, integração de equipes e processos seletivos em empresas. O Escape 60 trabalha ainda com

 

Temas das salas

  • Escape 60

Corredor da morte: há 12 anos você foi preso injustamente em virtude de um assassinato que não cometeu e agora foi condenado à pena de morte. Você tem 60 minutos para escapar da cadeira elétrica.

Operação resgate: sua prima desapareceu durante uma onda de assassinatos em série que ocorrem exatamente à meia-noite. Você tem 60 minutos para resgatá-la.

Salvem Nossas Almas (S.O.S.): você e seus amigos foram convidados para um jantar organizado por um ex-colega de classe. Ao chegarem, descobrem que estão trancados e que o ex-colega morreu há 1 ano. Vocês irão para o além se não saírem em 60 minutos.

 

  • Escape Time

Alcatraz, escapada impossível: você está preso injustamente em Alcatraz e, em 60 minutos, será mandado para a morte na cadeira elétrica. É o tempo que tem para tentar fugir da prisão e escapar da morte.

Pânico no Expresso do Oriente: logo após embarcar no Expresso do Oriente, você descobre que há uma bomba no trem, a explodir na estação de Budapeste. Você tem 60 minutos para parar o trem e evitar uma catástrofe.

Quarto 66 e os segredos dos templários: você herda um hotel de um parente muito distante que morreu misteriosamente, há mais de 70 anos, no quarto 66. Porém, o hotel será demolido, e você tem 60 minutos para evitar que isso aconteça.

 

 

  • Escape Zone

 

O templo: você e sua equipe de arqueólogos estão em uma antiga construção maia e têm 60 minutos para resgatar o tesouro que está guardado no templo há mais de 2000 anos.

Loira do banheiro: há mais de 30 anos, Verônica foi morta no banheiro da escola onde estudava, e, desde então, a alma dela vaga pelo local. Você e sua equipe têm 60 minutos para enfrentarem o medo e libertarem a alma de Verônica.

 

 

  • Excape House

Contra a máfia: depois de flagrar policiais corruptos recebendo propina de criminosos, você e seus amigos foram capturados e presos em uma delegacia. Vocês têm 60 minutos para escapar vivos do local.

Perdidos no tempo: você e seus amigos são cientistas e resolveram construir uma máquina do tempo, mas acidentalmente foram parar no passado. Vocês têm 60 minutos para voltar ao presente.

 

Serviço

 

  • Escape 60

Onde: rua São Domingos do Prata, 707, Santo Antônio

Contato: (31) 3656-1020

Ingressos: e-commerce www.escape60.com.br.

Mínimo de 4 pessoas por sala

Preço: R$ 69 por pessoa

 

  • Escape Time

Onde: rua Orange, 92, São Pedro

Contato: (31) 3566-2907/ 99543-0309

Site: www.escapetime.com.br

Mínimo de 3 pessoas por sala

Preço: R$ 69 (dias de semana) e R$ 79 (fins de semana). Estudantes pagam meia.

 

  • Excape House

Onde: rua Herval, 480, Serra

Telefone: (31) 3586-7704/ 99322-6594

Site: http://www.excapehouse.com.br/

Mínimo de 4 pessoas por sala

Preço: R$ 59 por pessoa

 

  • Escape Zone

Onde: rua da Bahia, 2.610, Lourdes

Telefone: (31) 2510-5006

Site: https://escapezone.com.br/

Mínimo de 3 pessoas por sala

Preço: R$ 55 por pessoa